Cidadão de Quinta

Há governo? Sou contra!

Que é isso mulher?

Que é isso Mulher? Veja lá como fala! Veja com quem fala!

Sou descendente direto das tribos nômades da estepes da Europa, um descendente direto dos bárbaros que assustavam os poderosos romanos. Descendente dos povos que corriam e matavam pelas estepes da Europa dos povos que fizeram parar o império romano.

Sou descendente direto dos mouros que dominaram o norte da África e o sul da Europa. De Saladino e de seus guerreiros que botaram milhares de cruzados para correr enquanto se lavavam em seu sangue..

Sou bisneto de cacique guerreiro. Dos índios que se levantaram contra o domínio português que lutaram contra a escravidão e dominaram o sertão.

Em outros tempos, por muito menos, cortaria fora sua cabeça e lideraria uma tribo de guerreiros alucinados contra seu povo. Mataríamos seus homens comeríamos seus fígados e traríamos suas cabeças em nossas lanças, seviciaríamos suas mulheres e venderíamos suas crianças como escravas.

Em outros tempos correríamos pelos planaltos desse país espalhando terror e destruição. Levando morte aos jesuítas banindo sua corja européia de volta ao seu lugar de origem.

Hoje.. hoje.. eu vou levar o poodle lá fora e trago pão.

Eu vi um anjo jogar.

Eu vi o Pelé jogar. Era menino correndo descalço pelas ruas de Ricardo de Albuquerque, subúrbio do Rio de Janeiro e lembro bem de ouvir os mais velhos falando da genialidade do Rei. Eu vi Pelé jogar no Cosmos, eu vi. Não vi o Garrincha, não ao vivo.

Eu vi o Zico jogar. E vi com a intimidade explícita que só a geral do Maracanã podia dar. Eu vi Junior , vi Falcão, vi Maradona. Eu vi.

Vi a bola obedecendo seus comandos como se estivesse colada aos seus pés. Vi os gols, vi as derrotas. Eu vi esses gênios jogarem. Eu vi os mágicos, os mestres os reis os gênios.

Vi Ronaldo e Ronaldo gaúcho. Também vi Paolo Rossi, fazendo o terceiro gol no melhor time da história.

Eu vi.

Essa semana, eu vi um anjo jogar.

Já havia visto bolas entre pernas, dribles dançantes, gols olímpicos, do meio campo, de goleiro, de bicicleta e até chapéus dentro da área. Eu vi Darío parar no ar e esperar a bola chegar, Eu vi Pelé errar, vi Zico marcar, mas nunca tinha visto um anjo jogar.

Essa semana eu vi.

Ela pegar a bola na direita, levar a linha de fundo, dentro da pequena área, voar sobre ela e com o outro pé tira-la do alcance da marcadora, eu ví. Ninguém me contou, eu vi.

Eu vi o anjo de novo. Desta feita, fazer uma fila de adversárias como se essas não pudessem se mover e explodir a bola na rede inimiga. Rápido, seco, lindo. Se fosse no Maracanã teria que ter uma placa. Como foi na China, talvez façam uma estátua.

Eu vi um anjo jogar e fazer um estádio lotado de chineses entoar os cânticos do futebol nacional. Eu vi.

Eu vi um anjo jogar. Não isso que se joga por ai nos estádios do mundo e que a imprensa teima em chamar de futebol. Não.

Eu vi um anjo jogar futebol. Aquele dos meninos travessos do campinho de terra ou do meio da rua. Não o das escolinhas de futebol, eu vi um anjo jogar futebol como se jogava na minha rua. Moleque, safado, brasileiro. Eu vi.

E você não viu? Então veja, A Marta e o resto da Seleção Brasileira de Futebol Feminimo jogam de novo, nesse domingo 30 de setembro de 2007 às 9hs da manhã.

Suprema ironia, jogam a final contra as favoritas as Alemãs. Só poderia ser melhor se fosse contra as Argentinas.

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